Oficializada candidata, Manuela defende "Lula livre" e critica Temer Gustavo Maia

A oficialização ocorreu durante convenção nacional da legenda, em Brasília, em meio a tentativas da cúpula da sigla de unir partidos da esquerda brasileira ainda no primeiro turno.

A decisão foi aprovada por unanimidade, em votação simbólica no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. Os delegados do partido manifestaram a posição levantando suas credenciais.

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Em discurso após a oficialização, Manuela destacou que esta é a terceira vez na história que o PCdoB lança candidatura própria à Presidência da República.

Para a presidenciável, o governo do presidente Michel Temer é comitê gestor dos interesses internacionais. "A sua tarefa é organizar a rapina", disse. "Trata-se de um governo ao Brasil, ao povo brasileiro", completou Manuela. A candidata reiterou ainda a proposta de realizar um referendo para revogar a reforma trabalhista e a emenda constitucional que impôs um teto de gastos por 20 anos no país.

Fátima Meira/FuturaPress/Estadão Conteúdo
Manuela foi vestida com uma camiseta com a frase "lute como uma garota"
"Lula livre"

Assim como fez durante sua pré-campanha, Manuela criticou a prisão do ex-presidente Lula (PT) no âmbito do que ela classificou como "estado de exceção".

"Nesse momento, o maior líder popular da história do nosso país está encarcerado de forma injusta. Lula está preso porque lidera as pesquisas, porque solto venceria as eleições [...] A democracia brasileira está presa naquela cela em Curitiba. É por isso que a nossa pré-candidatura sempre se somou aos gritos de 'Lula livre'", declarou.

A candidata argumentou que no Brasil não há mais presunção de inocência ou separação entre juiz e acusador. "O estado de exceção, que a periferia, diga-se de passagem, já vivia, se generalizou", declarou, apontando a prisão do ex-presidente petista como o ponto mais alto desse processo.

Lula foi condenado em segunda instância pelo caso do tríplex, na Operação Lava Jato, e começou a cumprir a pena de 12 anos e um mês no dia 7 de abril, por decisão do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). Pouco antes de ser preso, o petista tentou conseguir habeas corpus (liberdade) preventivo, mas teve o pedido negado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).


Durante o discurso, Manuela afirmou que é "a única candidatura feminista da esquerda nessas eleições".

"Para nós do PCdoB, a unidade da esquerda deve ser defendida até o último dia possível", afirmou Manuela, sendo bastante aplaudida pelo público.


A candidata reafirmou que nunca foi nem será obstáculo à unidade campo político e disse que, para o PCdoB, vencer a quinta eleição consecutiva [o PT venceu as últimas quatro eleições presidenciais] é "uma obrigação".


"Ela é de luta, eu tô com ela, pra presidente eu votar na Manuela", repetiram os participantes da convenção, em clima de festa.


A convenção acontece a quatro dias do fim do prazo para que os partidos escolham seus candidatos, que se encerra no próximo domingo (5).
Indefinição na esquerda
Até o momento, o PCdoB não anunciou quem ocupará o posto de vice na chapa presidencial nem qualquer coligação partidária em âmbito nacional.

Durante a convenção, lideranças do partido discursaram em prol da unidade do campo de esquerda no país.

Nos últimos dias, a presidente do partido, a deputada federal Luciana Santos (PE), tem acenado ao PT, PDT, PSB e PSOL com a possibilidade de abrir mão de candidatura própria. 

Destas siglas, o PDT e o PSOL já oficializaram Ciro Gomes e Guilherme Boulos, respectivamente, como candidatos ao Palácio do Planalto.

O PT, por sua vez, mantém o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que provavelmente será inelegível, como pré-candidato.

Os petistas devem oficializar Lula como candidato em convenção, em São Paulo, no próximo sábado (4). Já o PSB tem convenção marcada para o dia seguinte, e vai decidir entre se aliar ao PT, ao PDT ou se manter neutro nas eleições presidenciais.

Na mais recente pesquisa eleitoral, do Ibope, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) aparece com 17% das intenções de voto, em um quadro sem Lula. O candidato é seguido pela ex-ministra Marina Silva (Rede), com 13%, e por Ciro Gomes, com 8%. Manuela tem 1%.

Quando Lula é testado, o petista registra 33% dos votos. Bolsonaro tem 15%, Marina, 7%, e Ciro aparece com 4%. Manuela mantém 1%.

Vereadora de Porto Alegre de 2005 a 2006 e deputada federal pelo Rio Grande do Sul entre 2007 e 2014, Manuela tem 36 anos e é formada em jornalismo.

Do UOL