Pochamann: PT vai rever venda da Eletrobras e entrega da Embraer


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Um dos coordenadores da campanha do ex-presidente Lula à Presidência, o economista Márcio Pochmann afirma em entrevista à Reuters que o recente acordo entre Embraer e Boeing e eventuais vendas de ativos da Eletrobras e da Petrobras que saírem do papel serão revistos num governo do PT a partir de 2019 por questões estratégicas, ao mesmo tempo que um fundo com parte das reservas internacionais será montado para financiamento de projetos de infraestrutura;  segundo ele, se Lula não puder ser candidato, o substituto será "preposto" do ex-presidente

Brasil 247

Por Iuri Dantas e Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - O recente acordo entre Embraer e Boeing e eventuais vendas de ativos da Eletrobras e da Petrobras que saírem do papel serão revistos num governo do PT a partir de 2019 por questões estratégicas, ao mesmo tempo que um fundo com parte das reservas internacionais será montado para financiamento de projetos de infraestrutura.

As informações foram dadas à Reuters por um dos coordenadores da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência, o economista Márcio Pochmann, que definiu o acordo entre as duas gigantes da aviação como "inviável".

"O acordo com a Boeing significa o desaparecimento da Embraer, não tem garantia alguma que ela vai ficar no Brasil, pelo contrário, e toda a tecnologia militar tende a desaparecer", afirmou o economista em entrevista, no final da tarde de segunda-feira.

De acordo com Pochmann, a complexidade do sistema elétrico nacional e a importância das estatais para investimentos públicos exigem que não sejam tratadas "como uma empresa como qualquer outra". O governo do presidente Michel Temer pretende vender seis distribuidoras da Eletrobras neste ano, sendo que o leilão da Cepisa está marcado para está quinta-feira.

"Essas empresas, na verdade, o tema sob o qual elas estão inseridas, não nos permite avaliar apenas e tão somente pela ótica empresarial."

No início do mês, Embraer e Boeing anunciaram um acordo prévio sob o qual a norte-americana vai assumir o controle da divisão de aviação comercial da empresa brasileira por meio da criação de uma joint-venture de 4,75 bilhões de dólares e que enfrentará a parceria da Airbus com a Bombardier.

O eventual primeiro ano de mandato de Lula também seria marcado ainda pela criação de um fundo de investimentos, composto por cerca de 10 por cento das reservas internacionais, contribuição de bancos públicos e debêntures, para financiamento de projetos de infraestrutura e retomada do crescimento.

Com o nível atual das reservas, na casa de 380 bilhões de dólares, o fundo teria inicialmente cerca de 38 bilhões de dólares, ou 140 bilhões de reais.

Preso em Curitiba há mais de 100 dias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Lula permanece líder nas intenções de voto da população, segundo todos os institutos de pesquisa, mas o Tribunal Superior Eleitoral ainda não decidiu se ele está inelegível pela Lei da Ficha Limpa, que impede candidaturas de condenados em segunda instância.

Se a Justiça eleitoral não aceitar o registro de Lula, Pochmann disse que o candidato a substituí-lo será do próprio partido e um "preposto" do ex-presidente, de modo a permitir a transferência de votos do petista.

Reportagem adicional de Christian Plumb

Se Lula não puder ser candidato, substituto será "preposto" do ex-presidente, diz Pochmann

Por Eduardo Simões e Iuri Dantas

SÃO PAULO (Reuters) - Se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva for impedido de disputar a eleição presidencial de outubro, o substituto, seja ele quem for, será um "preposto" do ex-presidente, disse à Reuters um dos coordenadores do programa de governo petista, Márcio Pochmann, que acrescentou que o nome escolhido sairá das fileiras do partido.

Pochmann reforçou, em entrevista à Reuters na segunda-feira, a estratégia do PT de registrar a candidatura de Lula ao Planalto no dia 15 de agosto e lutar "até o fim" para que ele possa ser candidato. Mas disse que, se o ex-presidente for inviabilizado, o nome escolhido para a disputa será como se fosse o próprio Lula.

"Alguém do PT", disse Pochmann quando questionado qual seria o melhor nome para substituir Lula na eventualidade de ele ser barrado pela Lei da Ficha Limpa e se o partido poderia apoiar alguém de outra legenda.

"Esse alguém vai ser uma espécie de preposto do Lula, se não você não tem o repasse de votos. Quer dizer, não sou eu, não sou o Paulo, o João, eu sou o Lula", acrescentou.

Lula está preso desde abril cumprindo pena de 12 anos e 1 mês de prisão no caso do tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo. Ele deve ficar inelegível pela Lei da Ficha Limpa, que barra a candidatura de condenados por órgãos colegiados da Justiça.

O petista nega qualquer irregularidade e se diz alvo de uma perseguição política para impedi-lo de se candidatar.

O PT tem afirmado que oficializará Lula candidato na convenção do partido, marcada para 4 de agosto, e registrará, posteriormente, a candidatura dele no dia 15 de agosto, limite do prazo legal. A sigla tem rejeitado, ao menos publicamente, a discussão sobre um eventual "Plano B", embora os nomes do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e do ex-governador da Bahia Jaques Wagner sejam apontados como possíveis substitutos.

"Só fala em Plano B quem não está no PT. É Lula até o final. É tudo ou nada", disse Pochmann.

Indagado, no entanto, sobre um cenário em que Lula seja impedido de disputar o pleito pela Justiça Eleitoral, ele apontou a necessidade de o PT manter o capital político de Lula, líder nas pesquisas de intenção de voto para o Planalto, e afirmou que o ex-presidente gravou material para ser usado na campanha antes de ser preso.

"Quem está com este contingente de indicadores de voto, trocar agora para quê? Ao contrário, o PT vem mantendo e crescendo suas indicações de voto", disse.

O PT ainda não fechou qualquer aliança na disputa presidencial. De acordo com Pochmann, há conversas com PSB, PCdoB e Pros, este último, de acordo com ele, em estágio mais avançado.

A presença de Lula na urna eletrônica ou a transferência de votos para aliados preocupam os mercados financeiros, que não o veem como alguém comprometido com o ajuste fiscal necessário para reequilibrar as contas públicas.

Na entrevista, Pochmann também disse que o recente acordo entre Embraer e Boeing e eventuais vendas de ativos da Eletrobras e da Petrobras que saírem do papel serão revistos num governo do PT a partir de 2019 por questões estratégicas, ao mesmo tempo que um fundo com parte das reservas internacionais será montado para financiamento de projetos de infraestrutura.

Reportagem adicional de Christian Plumb