Morre aos 96 anos Hélio Bicudo



Após meses de complicações cardíacas, morreu no final da manhã desta terça feira, aos 96 anos, o jurista Hélio Bicudo. Estava em sua casa, nos Jardins — e seus familiares não decidiram ainda o local para o velório. Uma de suas últimas atividades públicas foi participar das manifestações contra Dilma Rousseff, em São Paulo, e preparar, ao lado de Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal, a peça que embasou o pedido de impeachment da então presidente no Congresso.


Um dos fundadores do PT, e professor de Direito no Largo de S. Francisco, Bicudo foi um importante militante dos direitos humanos desde os anos 70, e se notabilizou pelo combate, naquela época, ao Esquadrão da Morte, que agia em São Paulo.

Em sua carreira passou pela Procuradoria Geral em SP, foi presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, duas vezes deputado federal e, entre 2001 e 2004, foi vice-prefeito paulistano na gestão de Marta Suplicy. Deixa sete filhos e estava viúvo desde março passado, quando faleceu sua mulher, Déa.

Reale Jr. e Velloso o vêem como
‘exemplo de ética e coragem”

Parceiro de Hélio Bicudo, o ex-ministro e jurista Miguel Reale Jr. vê, no advogado e amigo, um exemplo de defensor incondicional da ética. “Hélio Bicudo era  uma combinação de coragem e espírito público. Lutou contra o Esquadrão da Morte, rejeitou o PT em nome da ética e integrou a equipe que conseguiu o impeachment de Dilma Rousseff em favor da seriedade na condução da coisa pública”. disse à coluna o jurista.

Amigo e admirador, também, da luta de Bicudo, o ex-presidente do STF Carlos Velloso elogiou, em especial, sua coragem. “Hélio Bicudo foi um grande brasileiro. Quando era difícil e perigoso propugnar pela liberdade, ele soube fazê-lo com valentia, pugnando pelo fiel cumprimento das garantias constitucionais. Corajoso, sobretudo ético, deixou o PT quando seus dirigentes desviaram-se da ética. Vai fazer falta”, disse Velloso à coluna.