Cerco aperta, Geddel e Lúcio viram réus e ônus do MDB para eleições na Bahia se confirma


Cerco aperta, Geddel e Lúcio viram réus e ônus do MDB para eleições na Bahia se confirma
Foto: Montagem BN

A decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou réus o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o irmão dele, Lúcio, e a matriarca da família, Marluce, confirma a expectativa de quem acompanha o desenrolar político do caso do bunker de R$ 51 milhões. As malas de dinheiro são um ônus maior do que qualquer popularidade possa reverter. Por isso o MDB, então todo poderoso nas negociações para compor chapas, se tornou um cadáver insepulto para as eleições de 2018. Não é esse o discurso público. O atual presidente da legenda, João Santana, é postulante ao Palácio de Ondina e, por uma questão de demarcação de território, deve ser confirmado. Entretanto, se registrada a chapa, estará sozinho. Nenhum político em sã consciência vai querer carregar a alça do caixão que se tornou o MDB da Bahia. A não ser, é claro, que haja um resquício de vida no recipiente. É o caso de Lúcio Vieira Lima. O deputado federal precisa ter uma campanha para defender a si e a família, mesmo que de maneira indireta. Inclusive, é por conta do mandato dele que o processo permaneceu no STF, frente ao pedido para que o caso fosse remetido integralmente para primeira instância, feito pela defesa de Gustavo Ferraz. Para a sorte do ex-diretor da Codesal, no entanto, a decisão da Suprema Corte não foi de todo ruim. Ferraz ficou de fora da denúncia no STF e deve responder por lavagem de dinheiro na instância pedida. Já o clã Vieira Lima, o ex-assessor Job Brandão e o empresário Luiz Fernando Costa Filho, da Cosbat, ficarão com o processo na última instância enquanto Lúcio detiver um mandato na Câmara dos Deputados, sob a acusação de associação criminosa e lavagem de dinheiro. Agora que o parlamentar é réu no STF, todavia, a manutenção desse mandato pode ser uma questão de tempo. Lúcio está fugindo da notificação do Conselho de Ética, que acatou o início do processo de cassação por quebra de decoro no começo de abril. Caso não aconteça pessoalmente, o emedebista será notificado via Diário Oficial e, num espaço relativamente curto de tempo, pode ter o processo apreciado em plenário. Em um universo pré-eleitoral, com deputados em campanha pela reeleição, defender a permanência de Lúcio na Câmara sendo o deputado réu no STF, é um ônus tão grande quanto ter o MDB aliado nas urnas em 2018. Não é fácil ser emedebista na Bahia, como se viu com a debandada de parlamentares da sigla. Mais difícil ainda deve ser um Vieira Lima... Em tempo, o STF também deixou Geddel preso no Complexo da Papuda, onde o ex-ministro está hospedado desde setembro de 2017. Este texto integra o comentário desta quarta-feira (9) para RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM e Clube FM.