Vitória da Conquista volta a ser destaque no jornal Nacional; assista a reportagem do ‘esquema’ de Geddel



Um relatório da Polícia Federal aponta indícios de lavagem de dinheiro em fazendas da família do ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Os documentos que levaram às suspeitas da Polícia Federal foram encontrados em buscas na casa de Marluce Vieira Lima, mãe do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Ele está preso em Brasília desde setembro após a polícia descobrir R$ 51 milhões em malas e caixas em um apartamento supostamente usado por ele, em Salvador.

No relatório, que faz parte das investigações sobre lavagem de dinheiro da família Vieira Lima, a polícia relata que a família tem 12 fazendas, no interior da Bahia, que valeriam R$ 67 milhões, e que anotações feitas à mão mostram a existência de 9.296 animais nas fazendas da família.

Só que para as autoridades agropecuárias da Bahia, o número declarado oficialmente em 2017, segundo a PF, é bem maior: 11.855.

O relatório mostra como essa diferença poderia ter sido usada para lavar dinheiro: R$ 6,5 milhões com o chamado “gado de papel”.

Em Vitória da Conquista, na Bahia, onde ficam as fazendas, a arroba vale R$ 142. A arroba é medida de pesagem do boi. O animal é vendido a um frigorífico geralmente com 18 arrobas, ou seja, por R$ 2.556.


A Polícia Federal afirma que a compra e venda fictícias de gado é uma forma de lavagem de dinheiro muito utilizada. Há uma simulação do nascimento de novilhos e da venda desses animais, o que daria uma aparência de origem legal ao dinheiro.

E os investigadores também apontaram mais indícios de lavagem em uma outra frente: o jornal “O Estado de S.Paulo” publicou nesta quarta-feira (27) que a Polícia Federal apontou lavagem de R$ 6,3 milhões em fazendas de Geddel com o falso aluguel de maquinário, usando a empresa de Valério Júnior, que declarou ser secretário parlamentar do irmão de Geddel, o deputado Lucio Vieira Lima, desde 2009, e que pediu demissão em setembro.

A PF destacou que “o aluguel de elevado número de máquinas, por mais de 12 horas por dia durante três anos, reforça as suspeitas sobre a prestação do serviço, e que, aparentemente, a empresa não tem estrutura para o serviço ou para o volume de dinheiro que receberia”.

O JN não conseguiu contato com a defesa do ex-ministro Geddel Vieira Lima.