domingo, 24 de setembro de 2017

Reunião do Exército tratou de intervenção militar, diz revista

(Foto: Divulgação)
Mourão avisou que as Forças Armadas podem agir ante o caos político (Foto: Divulgação)

A revista Istoé, desta semana, publica uma reportagem, intitulada “O risco da radicalização”, sobre uma reunião realizada na surdina com a presença do Alto Comando do Exército, em que se discutiu a possibilidade de uma intervenção militar no País. Segundo a publicação, a declaração do general Antonio Hamilton Martins Mourão, na última semana, com notas extremistas, teria sido o eco deste encontro. O colegiado é o responsável pelas principais decisões do Exército.
Segundo a revista, estavam presentes 16 generais quatro estrelas, entre eles Fernando Azevedo e Silva, chefe do Estado-Maior e Comandante Militar do Leste, cotado para substituir o general Eduardo Villas Bôas, prestes a encerrar seu ciclo no comando do Exército. Compareceram também os demais seis comandantes militares, entre os quais o da Amazônia, general Antonio Miotto, e o do Sul, general Edson Leal Pujol.
Em tese, o encontro não tinha a finalidade de tramar um golpe militar, mas o motivo da realização foi a preocupação com o ritmo acelerado da deterioração do quadro político brasileiro. Entretanto, como Mourão expressou, se houver necessidade, estarão prontos “para uma intervenção com o objetivo de colocar ordem na casa”. “Quando os militares se meteram a fazer política, pela última vez, mergulharam o País em 21 anos de trevas, os quais não podemos esquecer para que jamais novamente aconteça”, lembra a revista.
A declaração de Mourão gerou um mal-estar entre o Exército e o Ministério da Defesa. O ministro Raul Jungmann (PPS) pediu explicações a Villas Bôas e punição a Mourão. O comandante, além de elogiar o subordinado, disse que não haveria punição e ainda colocou mais lenha à fogueira, ao dizer que “a Constituição concede às Forças Armadas um mandato para intervir se houver no País a iminência de um caos”. O Senado, então, convidou Jungmann para explicar o ocorrido.
Mourão é reincidente. Dois anos atrás, ainda durante o governo Dilma Rousseff, o general havia sido afastado do Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, depois de tecer críticas a petista, por insubordinação. Punido, Mourão foi transferido para Brasília, onde assumiu o cargo de Secretário de Finanças do Exército, sua atual função, uma das mais importantes na força.
A publicação lembra que o atual deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), pré-candidato ao Planalto, também já foi um militar indisciplinado. “Em 1987, segundo documentos do Superior Tribunal Militar divulgados pela Folha de S.Paulo recentemente, o então capitão foi acusado por cinco irregularidades e teve que responder a um Conselho de Justificação formado por três coronéis”, diz.

Olímpio Mourão Filho com cachimbo (Foto: FGV/JK CPDOC)
Olímpio Mourão Filho com cachimbo (Foto: FGV/JK CPDOC)

Acuado, o Palácio do Planalto preferiu minimizar o caso para evitar mais desgastes e, pior, atrito com as Forças Armadas. Aliás, desde que assumiu a Presidência da República, Temer evitou criar embaraços às Forças Armadas. Eles foram retirados da reforma da Previdência e da proposta de congelamento dos salários dos servidores federais. No entanto, o orçamento despencou de R$ 17,5 bilhões para R$ 9,7 bilhões nos últimos cinco anos.
Uma triste coincidência: não é a primeira vez que um sobrenome Mourão aparece na história política brasileira, de farda. O primeiro foi o general Olímpio Mourão Filho, que foi ideólogo e hábil operador do golpe de 31 de março de 1964 que rasgou a Constituição e mergulhou o País em 21 anos de ditadura militar.

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