segunda-feira, 31 de julho de 2017

Efeito Lava Jato nas eleições da Bahia é de difícil previsão
por Fernando Duarte

Delação da OAS pode interferir no cenário incisivamente 

Foto: Divulgação
Efeito Lava Jato nas eleições da Bahia é de difícil previsãoO efeito Lava Jato é uma aposta difícil de prever para as eleições 2018, porém está longe de ficar restrito ao cenário nacional. Tanto que os protagonistas da corrida eleitoral na Bahia, o governador Rui Costa (PT) e o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), quase sempre preferem adotar posturas evasivas ao comentar as ações da operação e oscilam entre a defesa da Lava Jato, por uma questão de estratégia para não ir de encontro à opinião pública, e as críticas, quando o Ministério Público Federal e a Polícia Federal batem à porta de aliados políticos. Formalmente, nenhum dos dois foi citado por delatores ou nos processos que envolvem a Odebrecht e o Grupo JBS, os dois maiores acordos de delação premiadas firmados no âmbito da operação. Porém, no caso de ACM Neto, houve uma citação pela Odebrecht de uma das obras da prefeitura de Salvador, a reforma da orla da Barra. E ainda não se pode esconder a aliança com o peemedebista Geddel Vieira Lima, em prisão domiciliar após supostamente tentar coibir um acordo de colaboração do doleiro Lúcio Funaro, que indiretamente pode respingar no prefeito de Salvador – associar políticos é muito mais fácil do que dissociar, apesar de exemplos recentes do contrário, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que passou praticamente incólume ao mensalão mesmo tendo aliados próximos presos. Já o governador Rui Costa apareceu pela primeira vez, de forma bem tangencial, com a prisão do ex-presidente da Petrobras, Aldemir Bendine. O chefe do Executivo baiano teria abandonado uma ação contra a venda da Gaspetro após interferência de Bendine. Não é das mais consistentes essa correlação, mas cria o espaço para que a oposição se refestele com a simples citação. Os adversários de Rui, todavia, aguardam um eventual acordo de delação premiada com executivos do Grupo OAS, tão intimamente ligado aos governos petistas na Bahia que possui ex-integrantes como secretários desde os tempos de Jaques Wagner. Se no plano federal, o efeito Lava Jato já foi devastador para os principais jogadores, no plano baiano ainda há certa nebulosidade para prever as consequências da operação nas urnas estaduais – exceto a retirada de Geddel Vieira Lima como um dos protagonistas do cenário local. Este texto integra o comentário desta segunda-feira (31) para a RBN Digital, veiculado às 7h e com reprise às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM e Clube FM.

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