Preso estudante de direito suspeito de matar torcedor do Bahia
Andrezza Moura e Euzeni Daltro

A delegada informou que Pietro Henrique é integrante da Torcida Uniformizada Os Imbatíveis (TUI) - Foto: Reprodução l Facebook
A delegada informou que Pietro Henrique é integrante da Torcida Uniformizada Os Imbatíveis (TUI) - Foto: Reprodução l Facebook

O estudante de direito Pietro Henrique Ferreira Caribé Pereira, de 25 anos, o Gringo, foi preso em flagrante, nesta segunda-feira, 10, suspeito de ser um dos autores dos tiros que mataram o torcedor do Bahia Carlos Henrique Santos de Deus, 17, na noite de domingo, 9, na avenida Vasco da Gama, em Salvador. O amigo do adolescente, Isaias Souza Santos, 28, também foi baleado na ação.

A delegada Patrícia Brito, do Departamento de Homicídios, afirma que o crime foi motivado pela rivalidade entre as torcidas tricolor e rubro-negra, já que Pietro é torcedor do Vitória. A delegada informou ainda que ele é integrante  da Torcida Uniformizada Os Imbatíveis (TUI).

O suspeito diz  ser ex-integrante da TUI, segundo o advogado dele, Antônio Glorisman. O crime foi cometido por volta das 20h, após o clássico Ba-Vi pelo Campeonato Baiano, na Arena Fonte Nova. Pietro foi preso no início da tarde desta segunda, na casa da mãe, no  Garcia.

“Meu cliente alega que é inocente. Ele foi para a Fonte Nova com a namorada e o cunhado e saiu quando acabou o jogo, por volta das 18h40. Chegou na casa da mãe entre 19h10 e 19h15. Os vizinhos viram”, afirma  Glorisman.

Conforme a delegada, Pietro  foi reconhecido por testemunhas, inclusive por Isaias, que foi baleado de raspão no pescoço. Ele teve alta do Hospital Geral do Estado na manhã desta segunda.  Carlos e Isaias  passavam a pé pelo posto Shell, quando foram surpreendidos por  torcedores do Vitória que estavam em dois ônibus e dois carros.

Vítimas foram encurraladas​

A versão da Polícia Civil dá conta de que os veículos seguiam em comboio pela Vasco. No posto, os carros foram estacionados mais à frente e os ônibus posicionados para encurralar  os torcedores que estavam a pé. Um grupo saiu dos carros em direção a Carlos e Isaias e os agrediram antes de atirar neles.

“Eles não eram os alvos. Poderia ser qualquer torcedor do Bahia. Não tinha rixa. Acreditamos que foi por serem torcedores do Bahia”, afirmou a delegada Patrícia Brito.

A polícia apura quantas pessoas participaram do crime. Até a noite desta segunda, outros três suspeitos foram identificados. Entre eles, o segundo atirador. 

Carlos Henrique foi morto quando voltava do clássico Ba-Vi (Foto: Euzeni Daltro | Ag. A TARDE)

Pai não quis filho no jogo

O pai pediu para ele não ir. A mãe e a namorada também. Mas a paixão pelo Bahia falou mais alto e  Carlos não abriu mão de ver o time do coração enfrentar o arquirrival.

“Eu tive um pressentimento. Pedi para ele não ir. O coração estava apertado. Não gosto quando ele vai ao Ba-Vi. Infelizmente, eu perdi meu filho nessa violência desenfreada. Não há solução”, afirmou o pai, o segurança José Carlos Espírito Santo de Deus, 51.

O ingresso para assistir ao clássico foi dado pelos pais como presente de aniversário de 18 anos, que ele completaria na  quinta, 13. “Ele estava no lugar errado e na hora erradas. O menino morreu inocente”, disse um tio.

Carlos e Isaias usavam camisas do Bahia. Mas, segundo os familiares, eles não pertenciam a nenhuma torcida organizada. No entanto, no perfil do estudante no Facebook, há publicações de diversas imagens com símbolos de torcidas organizadas,  como a Bamor e a Galoucura.  Filho único, Carlos foi sepultado na tarde desta segunda no Cemitério do Campo Santo.