Diante de multidão, Lula e Dilma participam da inauguração popular da Transposição


A imagem pode conter: 4 pessoas, multidão, céu e atividades ao ar livre

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu milhares de militantes e seguidores no sertão da Paraíba neste domingo 19, durante a "inauguração popular" da transposição do rio São Francisco, o maior legado de seu governo para a região castigada pelas secas. Na companhia da ex-presidente Dilma Rousseff, do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e do governador Ricardo Coutinho (PSB), o líder petista visitou o município de Monteiro. Caravanas de oito estados se juntaram ao ato.
“Reconheço muito os esforços da companheira Dilma Rousseff e dos governadores Ricardo Coutinho e Ciro Gomes. Hoje todo mundo é a favor, mas aconteceu com a transposição o mesmo que ocorreu com o Bolsa Família”, discursou Lula. “Quando começamos, não faltava especialista na TV Globo pra falar que era melhor usar esse dinheiro fazer estrada, que era melhor gastar com outra coisa. 'Vou fazer estrada no dia em que o povo comer cimento', eu respondia".
O ex-presidente relembrou, ainda, as agruras vividas na infância em Garanhuns, interior de Pernambuco, até a família migrar para o litoral paulista, em 1952. "Não topei isso porque sou bonzinho, mas porque com sete anos de idade eu já carregava balde de água na cabeça, andando pra cima e pra baixo com a barriga cheia de esquistossomose".
Michel Temer já havia inaugurado oficialmente esse mesmo trecho da transposição em 10 de março. Fechado para convidados, o evento chegou a ser interrompido por gritos de manifestantes do lado de fora. No semiárido nordestino, ninguém parece ter dúvidas sobre a paternidade da obra, planejada desde o Império. A despeito da propaganda do atual governo, a grande maioria da população local atribui o feito a Lula, pois a obra só começou a sair do papel em 2007, em seu primeiro mandato.
"Esse país assistiu a mais uma mentira recentemente. Vejam a cara de pau: disseram que uma obra do tamanho dessa transposição podia ser resolvida em seis meses. A cara de pau é a mesma das mentiras que levantaram para o meu impeachment", discursou Dilma, em alusão a um recente comentário feito pelo atual secretário-geral da Presidência, Moreira Franco, promovido a ministro por Temer mesmo após a revelação de numerosas menções a seu nome nas delações da Odebrecht.
"Em 6 anos, Dilma não conseguiu entregar as obras de transposição do rio São Francisco. Nós entregamos em seis meses", escreveu no Twitter:Ao discursar, Dilma alertou para a ameaça de um "segundo golpe" contra a democracia brasileira. "Esse segundo golpe é impedir que os candidatos populares sejam colocados à disposição do povo", afirmou a ex-presidente, destituída pelo Senado em agosto do ano passado. "Nós precisamos da água da democracia para que esse país tenha a alma lavada. Vamos nos encontrar numa eleição direta em 2018".

20/3/2017 | Por: Carta Capital