'Artistas são seres políticos', diz Wagner Moura ao acusar governo de atacá-lo com mentiras
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Foto: Reprodução

Em um artigo publicado nesta terça-feira (21), na Folha de S. Paulo, o ator baiano Wagner Moura criticou os ataques feitos a ele pelo governo Temer. “Artistas são seres políticos. Pergunte aos gregos, a Shakespeare, a Brecht, a Ibsen, a Shaw e companhia - todos lhe dirão para não estranhar a participação de artistas na política. A natureza da arte é política pura. Numa democracia saudável, artistas são parte fundamental de qualquer debate. No Brasil de Michel Temer, são considerados vagabundos, vendidos, hipócritas, desprezíveis ladrões da Lei Rouanet”, contextualiza o artista, atacando o que considera “tamanha estupidez”. “Por que esses caras têm tanto medo de artistas, a ponto de ainda precisarem desqualificá-los dessa maneira?”, indaga. O ator afirmou também que ao longo da história, o “medo manifestado pelo status quo” fez com que artistas fossem censurados, torturados e assassinados. “Os gulags de Stálin estavam cheios de artistas; o macarthismo em Hollywood também destruiu a vida de muitos outros. A galera incomoda”, pontua Wagner Moura.

Ele lembrou ainda que recentemente uma apresentadora de TV afirmou que “a opinião de um artista não vale merda nenhuma", atribuindo a frase a Kevin Spacey, “possivelmente dita no contexto de seu papel de presidente dos EUA na série ‘House of Cards’”. “Certo. Vale a opinião de quem mesmo? Invariavelmente essas pessoas utilizam o chamado argumento ‘ad hominem’ para desqualificar os que discordam de suas opiniões. É a clássica falácia sofista: eu não consigo destruir o que você pensa, portanto tento destruir você pessoalmente. Um estratagema ignóbil, mas muito eficaz, de fácil impacto retórico. Mais triste ainda tem sido ver a criminalização da cultura e de seus mecanismos de fomento, cruciais para o desenvolvimento do país”, rebate, acrescentando que “todos os projetos sérios de Brasil” partiram de perspectiva histórico-cultural, de intelectuais como Darcy Ribeiro, Caio Prado Jr., Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre.

Veja o vídeo no qual o artista fala sobre a reforma:


Wagner Moura criticou o comportamento do ministro da Cultura, Roberto Freire, que segundo ele deu “um ataque” diante do discurso feito pelo escritor Raduan Nassar em uma premiação. Tal atitude, segundo o artista, o faz pensar “que há algo mesmo de podre no castelo do conde Drácula”. Ele afirma ainda que, embora acostumado à hostilidade, ficou espantado ao saber que o ataque feito a ele “partiu de uma peça publicitária oficial da República Federativa do Brasil”, em virtude de um vídeo produzido pelo MTST, no qual o artista rebate a proposta de reforma da Previdência do governo de Temer. “Sempre estive em sintonia com a causa do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto); fiz com eles um vídeo que tentava explicitar o absurdo dessa proposta de reforma da Previdência. O governo ficou incomodado e lançou outro vídeo, feito com dinheiro público, no qual me chama de mentiroso e diz que eu fui ‘contratado’ - ou seja, que recebi dinheiro dos sem-teto brasileiros para dar minha opinião”, defendeu-se, lembrando que o vídeo, assim como a campanha publicitária em defesa da reforma foi suspenso pela Justiça. “Um governo atacar com mentiras um artista, em propaganda oficial, é, até onde sei, inédito na história, considerando inclusive o período da ditadura militar”, avalia, afirmando ainda que “se o governo enfrentasse a sonegação das empresas, as isenções tributárias descabidas e não fosse vassalo dos credores da dívida pública, poderíamos discutir melhor o que alardeiam como rombo da Previdência” (clique aqui e confira o artigo na íntegra).