8 homens possuem a mesma riqueza que a metade mais pobre da população mundial


No Vietnã, o homem mais rico do país ganha mais em um dia do que a pessoa mais pobre recebe em dez anos, segundo relatório da Oxfam

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BILL GATES E CARLOS SLIM, DOIS DOS OITO HOMENS MAIS RICOS DO MUNDO (FOTO: AGÊNCIA EFE)

Afortuna das oito pessoas mais ricas do mundo é igual ao patrimônio da metade mais pobre da população mundial, o equivalente a 3,6 bilhões de pessoas. Sim, você entendeu certo. Desde 2015, o 1% mais rico detém mais dinheiro que o resto do planeta somado. Os números são da Oxfam, confederação de ONGs presente em 94 países, incluindo o Brasil, que trabalha para a redução da desigualdade. O relatório, intitulado “Uma economia para os 99%”, será apresentado no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que ocorre nesta semana.


Segundo a Oxfam, a desigualdade vem crescendo a cada edição do estudo, a uma velocidade ainda maior do que a prevista. No ano passado, o relatório indicava que as 62 pessoas mais ricas possuíam riqueza equivalente à metade mais pobre da população. No início da década, eram 388 indivíduos com a mesma proporção da riqueza de 3,5 bilhões de pessoas.

Atualmente, os 50% mais pobres do mundo detêm menos de 0,25% da riqueza global líquida. Desse grupo, de 3,6 bilhões de pessoas, cerca de 3 bilhões vivem abaixo da "linha ética de pobreza" — definida pela riqueza que permitiria que as pessoas tivessem uma expectativa de vida normal de pouco mais de 70 anos.

Para ilustrar o tamanho do abismo entre os mais ricos e os mais pobres do mundo, a Oxfam fez mais algumas comparações. Segundo o levantamento, um diretor executivo de qualquer empresa do índice FTSE-100 (da bolsa de valores de Londres) ganha o mesmo em um ano que 10.000 pessoas que trabalham em fábricas de vestuário em Bangladesh. E, no Vietnã, o homem mais rico do país ganha mais em um dia do que a pessoa mais pobre ganha em dez anos.

A confederação alerta, ainda, que a diferença entre mais ricos e mais pobres tem aumentado. De acordo com uma pesquisa recente, realizada pelo economista Thomas Piketty, nos últimos 30 anos, a renda dos 50% mais pobres nos Estados Unidos permaneceu inalterada, enquanto a do 1% mais rico aumentou 300%. “Se nada for feito para combatê-la, a desigualdade crescente pode desintegrar nossas sociedades. Ela aumenta a criminalidade e a insegurança e mina o combate à pobreza. Ela gera mais pessoas vivendo com medo do que com esperança”, diz o estudo.

“O relatório detalha como os grandes negócios e os indivíduos que mais detêm a riqueza mundial estão se alimentando da crise econômica, pagando menos impostos, reduzindo salários e usando seu poder para influenciar a política em seus países”, afirmou Katia Maia, diretora executiva da Oxfam no Brasil, em nota.

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