Plebiscito: colocar nas mãos do povo a saída para a crise

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Cresce o apoio à alternativa de que a solução para a crise política brasileira  passa pela convocação de um plebiscito por eleições Diretas Já para Presidente da Republica. Tal alternativa coloca nas mãos do povo a saída para a crise, podendo tornar-se elemento catalizador de amplas forças políticas e sociais.

Além de incorporar o povo no debate e definição de caminho para superar a crise, o plebiscito possibilita uma ampla discussão sobre o caráter do governo Temer:  ilegítimo, antidemocrático, antissocial e antinacional.

Ilegítimo porque por ter assaltado o poder por um golpe parlamentar. Antidemocrático por atropelar o estado democrático de direito e a Constituição. Antissocial por liquidar importantes conquistas sociais. Antinacional por abrir as portas de nossa economia à desnacionalização e entregar o petróleo do pré-sal para empresas estrangeiras.

 Por todas estas razões existe condições reais para mobilizar a sociedade em defesa das Diretas Já para Presidente da República. Tal mobilização irá influenciar, de forma decisiva, o voto de Senadores em torno do impeachment da Presidenta Dilma.

Há questionamentos sobre as condições de aprovação do plebiscito no Congresso Nacional.  A resposta a isto está pela capacidade que tenhamos de mobilizar a sociedade.

O plebiscito poderá se constituir num importante dique para barrar a ofensiva da direita. E garantir a continuidade do processo democrático, criando condições para o aprofundamento das conquistas do nosso povo.

Alguns setores se manifestam céticos em relação a este caminho. Defendem o Fora Temer e o Volta Dilma. Tais objetivos são fundamentais. Todavia não obteremos tais vitorias sem mobilizar amplamente a sociedade.

O Fora Temer já não é suficiente para dar resposta á gravidade da crise. Até porque os próprios setores dominantes já trabalham com a hipótese de descarta-lo para realizar eleições indiretas no inicio de 2017.

Há os que defendem eleições gerais. Mas, se é difícil uma vitória através do plebiscito para eleições de Presidente, mais ainda para eleições gerais.

A experiência política indica que, para se obter êxito numa luta é fundamental centrar a ofensiva em torno do objetivo principal. Neste momento o objetivo principal é assegurar o mandato da Presidenta Dilma. Incorporar outros objetivos significa ampliar as dificuldades para que o objetivo principal seja vitorioso.

Outros consideram que a convocação do plebiscito significaria abrir mão do mandato da Presidenta Dilma, conquistado pelo voto de milhões de brasileiros. Todavia tal proposta visa exatamente mobilizar a sociedade para assegurar a retomada do mandato pela Presidenta.

O fundamental, neste momento, é a defesa do estado democrático de direito e da Constituição. Tudo isto implica em derrotar o golpe com a retomada do mandato pela Presidenta.

O passo seguinte é o aprofundamento do processo democrático com reforma estruturais do estado brasileiro. Todavia isto só será possível se conseguirmos manter as conquistas incorporadas à Constituição de 1988.

A unidade da esquerda é fundamental na mobilização da sociedade. Todavia só a esquerda não conseguirá obter a vitória necessária. É fundamental atrair amplos setores da sociedade. Para importantes segmentos políticos tal objetivo só será possível com a convergência tática em torno de um objetivo capaz de fazer do povo agentes efetivos da solução da crise. em torno da realização do Plebiscito para as Diretas Já.

A unidade da esquerda è indispensável. Porém só poderá ser obtida se houver uma convergência em torno do caminho capaz de colocar em marcha importantes segmentos da sociedade brasileira.

Por mais boa vontade que as diversas correntes políticas possam ter, sem esta convergência tática não obteremos a unidade necessária para o enfrentamento do tsunami político que recaiu sobre o País e sobre o  povo brasileiro. 

Fora Temer! Volta Dilma!

Pela realização do plebiscito por Diretas Já!

União do povo brasileiro em defesa do estado democrático de direito e da Constituição de 1988.

Por 
Aldo Arantes
Ex-deputado federal Constituinte pelo Estado de Goiás, secretário da Comissão Especial de Mobilização para a Reforma Política do Conselho Federal da OAB