Frei Betto: Lula só não será candidato se estiver preso ou morto
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Teórico da esquerda, o escritor Carlos Alberto Libânio, mais conhecido como Frei Betto, está convencido de que o ex-presidente Lula voltará ao poder em 2018; "Temer vai se tornar o grande apoio de Lula para 2018. O Governo vai ser tão ruim que vai ajudar Lula a voltar", diz ele, em entrevista ao El País; Frei Betto, no entanto, afirma que Lula poderia ter agido como o uruguaio Pepe Mujica na presidência; "Acho que Lula deveria ter preservado alguns símbolos, como Mujica no Uruguai. Poderia ter continuado a morar na casa onde morava quando era presidente do sindicado e viajar com um avião normal, não com um avião particular, esses símbolos dizem muito para a opinião pública"

Brasil 247 – Em entrevista ao jornalista Antonio Jiménez Barca, do El País, o escritor Carlos Alberto Libânio, mais conhecido como Frei Betto, se mostra convencido da volta do ex-presidente Lula em 2018. E seu maior cabo eleitoral será o interino Michel Temer, aposta.

"Não é que eu acredite. Eu tenho certeza. Lula só não será candidato se estiver morto ou se estiver preso. Eu o conheço bem", diz ele. "Temer vai se tornar o grande apoio de Lula para 2018. O Governo vai ser tão ruim que vai ajudar Lula a voltar."

Betto, no entanto, não pouca críticas ao PT. "O PT ia ser o partido da ética (o que não foi) e ia ser o partido das reformas estruturais, como a reforma política, mas não foram feitas. E agora Dilma Rousseff e o PT são vítimas precisamente disso", diz ele. "O PT, além disso, estabeleceu uma via de inclusão social pelo consumo. Deu crédito e criou programas sociais. As pessoas passaram a ter micro-ondas, geladeira, até carro, pagando tudo a prazo. Mas não bens sociais públicos, educação, saúde, transporte ou segurança. Por isso as pessoas agora têm raiva, agora que tudo está pior."

Embora se diga convencido da integridade pessoal de Lula, ele afirma que o ex-presidente deveria ter agido como o uruguaio José Pepe Mujica. "Acho que Lula deveria ter preservado alguns símbolos, como Mujica no Uruguai. Poderia ter continuado a morar na casa onde morava quando era presidente do sindicado e viajar com um avião normal, não com um avião particular, esses símbolos dizem muito para a opinião pública. Mas continuamos sendo amigos, e eu acredito totalmente em sua integridade ética."